quarta-feira, janeiro 28, 2026

Tava com um Cara que Carimba Postais*

Abri a caixa de correspondência e fiquei melancólico hoje mais cedo. E não foi um sentimento inédito. Não pela ausência de uma carta qualquer, mesmo que uma conta ou um boleto a pagar, porque a isso já nos acostumamos há tempos, mas pela constatação de que estava frente a algo obsoleto, que perdeu seu sentido de ser. Quase como alguém que se definia pela sua função e – ao ficar sem emprego, ou se aposentar – perdeu sua razão de ser.

 

Como moro em apartamento, há no térreo um grande móvel (certamente não se chama assim) onde estão os nichos, fechados por uma portinhola com chave, individualizados por unidade residencial, para depósito das correspondências recebidas. Antigamente, diariamente eu passava para conferir se havia recebido algo. Da mesma forma, quando morava em casa, ia até o portão em frente à casa, para verificar na caixa o recebimento ou não.

 

Não acontece mais, porque não as pessoas não se enviam cartas. Nem as contas a pagar vem pelo correio. Compras online, por outro lado, normalmente são entregues por serviços próprios da empresas, como Amazon ou Mercado Livre. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, além de e talvez por ser ineficiente, é fonte de prejuízos gigantes.

 

Confesso que era legal receber cartas. Eu as recebia eventualmente de amigos que – lá nos anos 80 – não tinham telefone em casa, e morávamos longe, e passávamos algum tempo sem nos encontrar, como nas férias de verão, por exemplo. Era sempre uma surpresa. Escrever crônicas e publicá-las é mais ou menos isso, cartas que escrevo e as deixo no ar, na rede, etéreas, para quem quer que seja o destinatário.

 

Elas lembram de um tempo passado em que a vida não era melhor do que hoje, que fique claro. Era diferente. Se tenho saudades? Lembro bem, tenho respeito pelo que vivi e por quem viveu essas histórias comigo. Mas a vida é muito melhor agora.


Até. 



* E.C.T., Nando Reis

terça-feira, janeiro 27, 2026

Versões

Tenho estudado um determinado assunto não relacionado à medicina como parte de um projeto paralelo, como falei por aqui. Nesse processo, o plano é retroceder até as origens desse assunto para entender o processo como um todo e em todas suas nuances. E isso requer pesquisa de diversas fontes.

 

Inevitavelmente, acabo caindo no tema das diferentes versões da realidade e das respectivas narrativas. De como um história é contada dependendo de que a conta. Das diferentes versões da realidade a partir do observador, que tem sua própria história que vai influenciar a forma de ver e de contar o que acontece.

 

Não posso e não devo esquecer nunca que toda história tem mais de uma versão dependendo do ponto de vista do narrador, e quem escuta apenas uma parte da história evidentemente não tem como ter uma ideia do todo, o que leva a conclusões precipitadas e enviesadas.

 

Sempre é bom ter cuidado ao julgar os outros.

 

Até.

domingo, janeiro 25, 2026

A Sopa

 ‘Quanto mais sei, mais sei que nada sei’.

 

Atribuída ao filósofo grego Sócrates, mesmo não formulada por ele, essa máxima ressalta a humildade intelectual, e sugere que, ao aprender mais, percebemos a vastidão do que ainda há por aprender, o tamanho do que nos é desconhecido. Na mesma linha disso, é aquela que diz que só os idiotas têm certeza de tudo.

 

Vemos isso todos os dias em diferentes aspectos da vida. E mais, quem não tem razão, quem prefere o caminho fácil do não procurar saber e não pensar, é quem grita mais alto. É quem não te deixa falar e quem não quer ouvir. Têm certeza de que sabem tudo e que não existem outros lados em cada questão, em cada tema a ser debatido.  

 

Estou cansado de pessoas assim.

 

Não era disso o que queria falar, para ser sincero.

 

Comecei a estudar um determinado assunto para um projeto paralelo que tenho, e me deparei com o fato de que – à medida que ia aprofundando o assunto – para entendê-lo melhor, ia “abrindo outras abas” de conhecimento que levavam a outras e que ia retrocedendo no tempo ao mesmo tempo em que ampliavam o assunto. Como um fio que ia puxando e revelando outras partes.

 

Passei pela Guerra Civil Americana, que eu nunca tinha estudado a fundo, e praticamente voltei às navegações e ao Descobrimento da América. 

 

Daqui a pouco eu volto.

 

Até.

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Sábado (e é dia de Camp)

School of Rock Benjamin


Final de semana de Camp de gravação musical com Alexandre Birck.

Bom final de semana a todos.

Até.



 

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Obsolescência

Existe, sabemos, o que se chama de obsolescência programada, relacionada a produtos que seria uma estratégia de fabricantes para limitar a vida útil de produtos para estimular/forçar a troca dos mesmos e, consequentemente, o consumo e o lucro. Eletrodomésticos, computadores, telefones celulares.

 

Vinha eu pensando por esses dias naquilo que se torna obsoleto em nossas vidas, aquilo que uma vez nos foi habitual, corriqueiro, cotidiano, e que ao longo do tempo, mesmo que não de forma consciente, deixamos de – digamos assim – viver. Utensílios domésticos, hábitos, e até pessoas.

 

Como assistir novelas, ou ter interesse pelos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, por exemplo. Houve um tempo em que era hábito assistir novelas na televisão em família, e lá se vão trinta, quarenta anos. Da mesma forma, havia interesse, curiosidade e até curiosidade pelo carnaval do Rio de Janeiro. De assistir até de madrugada alguns desfiles. Por influência da minha admiração pela música do Cartola, torcia pela Estação Primeira de Mangueira. Era legal assistir, depois, à apuração das notas do desfile.

 

Em algum momento, isso se perdeu.

 

O mesmo acontece, ou pode acontecer, com pessoas, devo dizer. A vida vai acontecendo para todos, vamos mudando conforme andamos, e, em algum momento, a sintonia, a conexão, se perdem. Tornamo-nos estranhos. E isso não é bom nem ruim, e não é ‘culpa’ de ninguém. Apenas é. Ponto.

 

Seguimos em frente, ou – melhor – devemos seguir, e sinto que devemos guardar, e honrar, a memória de bons tempos vividos. 


Até. 

quarta-feira, janeiro 21, 2026

Influências

Naquilo que chamo de ‘expandir minha bolha’, procuro ler, ouvir e, principalmente, conviver com pessoas diversas em experiências e pensamentos, e sinto, em maior ou menor grau, a influência dessas pessoas, dessas leituras e do que ouço, quando vou escrever. Sou frequentemente ‘pautado’ pelo que e por quem acabei de ler ou ouvir. Pode ser um site, um blog, um podcast, um livro ou alguém com quem encontrei.

 

Tenho referências que me influenciam.

 

Pessoas que respeito, que admiro, em que me espelho.

 

Pessoas a quem recorro quando preciso de conselhos ou auxílio, mas também para estar junto, conviver. E, por diversas, enriquecem o meu mundo com informações, ideias, visões de mundo. 

 

Sou grato a elas.


Até. 

segunda-feira, janeiro 19, 2026

Sou Assim

Tenho momentos de ansiedade.

 

Pode ser que seja por estar com tempo livre demais para pensar besteiras, e talvez seja essa a causa, não importa. Em um padrão que já é bem conhecido, passo alguns dias com pensamentos que me causam angústia, até que chega o momento em que dou um basta em tudo, quando me dou conta de que tem momentos em que preciso olhar para o geral, em perspectiva. Não apenas para o próximo passo, mas sim para o caminho como um todo.

 

Respiro fundo, então, e sigo adiante.

 

Até.